ESCOLA E DESIGUALDADE
UMA ANÁLISE CRÍTICA DO PROJETO DE VIDA A PARTIR DE PIERRE BOURDIEU
Palabras clave:
Projeto de Vida, Ensino Médio, Capital Cultural, JuventudeResumen
Este artigo analisa o componente Projeto de Vida (PV) no Novo Ensino Médio à luz da teoria de Pierre Bourdieu. A discussão demonstra como o PV, alinhado a agendas neoliberais, desloca a responsabilidade pela equidade social do Estado para o indivíduo, sob a retórica do empreendedorismo de si. O trabalho utiliza o conceito de capital cultural e seus desdobramentos para evidenciar que a escola, ao apresentar-se como instância neutra, legitima a cultura das classes dominantes. A análise revela que o sucesso no planejamento do futuro exigido pelo PV depende de disposições e recursos simbólicos adquiridos previamente no seio familiar. Ao tratar de forma igualitária estudantes socialmente desiguais, o sistema de ensino converte privilégios de origem em mérito individual, atuando como ferramenta de violência simbólica. Conclui-se que o Projeto de Vida, longe de mitigar disparidades, reforça a reprodução social ao ignorar as barreiras estruturais que condicionam as trajetórias da juventude brasileira.
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