ANÁLISE DA APTIDÃO PARA A IMPLANTAÇÃO DO TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA NA COMUNIDADE DE MANGUE SECO, RAPOSA (MARANHÃO, BRASIL).
Palavras-chave:
comunidade tradicional, turismo, zona costeira, sustentabilidade socioambientalResumo
O turismo é uma atividade multidisciplinar que utiliza como elementos principais a cultura e os recursos naturais de uma localidade receptora. O turismo de massa, desordenado, provoca a depreciação dos atributos socioambientais prejudicando a atividade turística. Nesse contexto, o Turismo de Base Comunitária (TBC) se apresenta como uma proposta de desenvolvimento do turismo com potencial de promover a sustentabilidade socioambiental no contexto das comunidades tradicionais. Este artigo objetiva analisar a aptidão para a implantação do TBC na comunidade de Mangue Seco, município de Raposa-MA, que recebe visitantes de forma espontânea e com pouco protagonismo dos comunitários. Empregou-se uma abordagem qualiquantitativa, exploratório-descritiva, integrando as perspectivas etnográfica e fenomenológica e adaptou-se o Índice de Atratividade Turística (IAT), cujos valores limitam-se entre 0 e 5. Os resultados apresentaram um IAT médio de 2,90, com o menor IAT para o atributo manejo (inferior a 2,0) mostrando que a aptidão é influenciada pela pouca ou nenhuma infraestrutura básica como saneamento, abastecimento de água e energia. O IAT mais elevado foi obtido para os atributos biofísico e social (entre 3,0 e 4,0) revelando a localidade como um potencial destino de relevância regional . Recomenda-se uma gestão integrada e participativa para a busca de alternativas sustentáveis e em coerência com a realidade local para que o TBC venha a se constituir uma estratégia bem sucedida.
Referências
ARAÚJO, Mônica de Nazaré Ferreira de. Turismo de base comunitária na Pan-Amazônia: tecnologias sociais do Brasil, Bolívia e Peru. Belém: NAEA, 2024. E-book. Disponível em: https://www.naea.ufpa.br/index.php/livros-publicacoes/499-turismo-de-base-comunitaria. Acesso em: 13 de fevereiro de 2026.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
BARTHOLO, Roberto; SANSOLO, Davis Gruber; BURSZTYN, Ivan (orgs.). Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio de Janeiro: Letra e Imagem, 2009. ISBN 978-85-61012-01-4. Disponível em: https://www.gov.br/turismo/pt-br/centrais-de-conteudo-/publicacoes/segmentacao-do-turismo/turismo-de-base-comunitaria-diversidade-de-olhares-e-experiencias-brasileiras.pdf . Acesso em: 13 de fevereiro de 2026.
BEAUD, Sylvie; WEBER, Florence. Guia para a pesquisa de campo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
BENI, Mário C. Análise estrutural do turismo. São Paulo: SENAC, 2007.
BIBLIOTECA DO CARANGUEJO OFICIAL. Instagram, 2026. Disponível em: https://www.instagram.com/biblioteca_do_caranguejo_of/. Acesso em: 13 de fevereiro de 2026.
BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa... Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 maio 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
BUTLER, Richard W. Sustainable tourism: A state-of-the-art review. Tourism Geographies, v. 1, n. 1, p. 7-25, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1080/14616689908721291. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
CARVALHO NETA, Raimunda Nonata Fortes; CASTRO, Antônio Carlos Leal de. Diversidade das assembleias de peixes estuarinos da Ilha dos Caranguejos, Maranhão. 2008. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/arquivosdecienciadomar/article/view/6075?articlesBySimilarityPage=6. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
DA SILVA CARVALHO, Luis Eduardo; SILVA VIANA, Layla Lídia; RABELO, Thiara Oliveira; FEITOSA, Antonio Cordeiro. Potencial geoturístico das Fronhas Maranhenses em Raposa, Maranhão, Brasil. Revista Verde Grande: Geografia e Interdisciplinaridade, v. 7, n. 1, p. 444–464, 2025. Disponível em: https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/verdegrande/article/view/7909. Acesso em: 5 fev. 2026.
DE SOUZA LIMA, Luiz Carlos; RIHAN, Bianca. Bibliotecas comunitárias e acesso à cidadania: reflexões preliminares. Almanaque Multidisciplinar de Pesquisa, v. 12, n. 2, 2025. Disponível em: https://publicacoes.unigranrio.edu.br/amp/article/view/9164. Acesso em: 13 de fevereiro de 2026.
EMBRATUR. 2024. Unesco concede título de Patrimônio Natural da Humanidade para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Disponível em: https://embratur.com.br/2024/07/26/unesco-concede-titulo-de-patrimonio-natural-da-humanidade-para-o-parque-nacional-dos-lencois-maranhenses/#:~:text=26/07/2024%20%E2%80%93%20A,em%20Nova%20D%C3%%20A9li%2C%20na%20%C3%8Dndia. Acesso em 23 de fevereiro de 2026.
FRATUCCI, Aguinaldo César; MORAES, Claudia Corrêa de Almeida. Inventário da oferta turística: reflexões teóricas para o planejamento e ordenamento do espaço turístico. Caderno Virtual de Turismo, v. 20, n. 1, 2020. Disponível em: https://www.ivt.coppe.ufrj.br/caderno/article/view/1783. Acesso em: 13 fevereiro 2026.
GRUBITS, S.; NORIEGA, J. A. V. (orgs.). Método qualitativo: epistemologia, complementariedades e campos de aplicação. São Paulo: Vetor, 2004.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e Estados: Raposa (MA). 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ma/raposa.html. Acesso em: 13 fev. 2026.
HUNTER, J. D. Matplotlib: A 2D graphics environment. Computing in Science & Engineering, v. 9, n. 3, p. 90–95, 2007. Disponível em: https://ieeexplore.ieee.org/document/4160265. Acesso em: 13 março. 2026.
IRVING, M. A. Reinventando a reflexão sobre turismo de base comunitária: inovar é possível? In: BARTHOLO, R.; BURSZTYN, I.; SANSOLO, D. G. (Orgs). Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio de Janeiro: Letra e Imagem, 2009. Disponível em: https://www.gov.br/turismo/pt-br/centrais-de-conteudo-/publicacoes/segmentacao-do-turismo/turismo-de-base-comunitaria-diversidade-de-olhares-e-experiencias-brasileiras.pdf. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
IRVING, M. A. Redes de turismo de base comunitária: utopia ou estratégia de resistência e emancipação? Polis, v. 8, n. 22, p. 1-18, 2009. Disponível em: SciELO. Acesso em: 13 fev. 2026. Disponível em: https://doi.org/10.34024/rbecotur.2016.v9.6569. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
LAUDINO, Bruna Gabrieli Lago; LOURENÇO, Giuseppe Celebrone. Biblioteca comunitária: um universo dentro de uma tipologia. Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, v. 8, n. 2, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/moci/article/view/16887. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
LLUPART, María Rosa Naranjo; RODRÍGUEZ, María de los Ángeles Martínez. La oferta turística: precisiones teóricas para su análisis. Encuentros: Revista de Ciencias Humanas, Teoría Social y Pensamiento Crítico, n. 16, p. 406-422, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.6917147. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
LYRA, Ingrid Nicolly Oliveira. Estudo geoecológico da paisagem costeira do município de Raposa – MA: bases para o planejamento ambiental. Dissertação (PPG em Desenvolvimento e Meio Ambiente) – Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2022. Disponível em: https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/4359. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
MANGUE SECO PRAIA. Instagram, 2026. Disponível em: https://www.instagram.com/manguesecopraia/. Acesso em: 13 fev. 2026.
MARANHÃO. Balneabilidade das Praias da Região Metropolitana de São Luís. São Luís: Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais, 02 fev. 2026. Disponível em: https://www.sema.ma.gov.br/uploads/sema/docs/Laudo_de_Balneabilidade_02_02_2026.pdf. Acesso em: 05 fev. 2026.
MARANHÃO. Atlas do Maranhão. São Luís: GEPLAN/UEMA, 2002.
MARANHÃO. Decreto nº 12.428, de 05 jun. 1992. Diário Oficial do Estado do Maranhão, 1992.
MENDONÇA, T. C. M. Turismo de base comunitária: sustentabilidade e inclusão social em comunidades costeiras. Rio de Janeiro: Folio Digital, 2015.
MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
MOCHEL, F. R. O Manguezal de todos os povos – a oceanografia social e a educação ambiental no empoderamento das comunidades tradicionais costeiras. In: SEABRA, Giovanni (Org.) Educação ambiental: natureza, biodiversidade e sociedade. Ituiutaba: Barlavento, 2017.
MOCHEL, Flávia Rebelo. Manguezais amazônicos: status para a conservação e a sustentabilidade na zona costeira maranhense. In: Amazônia maranhense: diversidade e conservação. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 2011.
OLIVEIRA, Leonardo Azevedo Klumb; FREITAS, Rodrigo Randow de; BARROSO, Gilberto Fonseca. Manguezais: turismo e sustentabilidade. Caderno Virtual de Turismo, v. 5, n. 3, 2006. Disponível em: https://www.ivt.coppe.ufrj.br/caderno/article/view/96. Acesso em: 28 jun. 2025.
OLIVEIRA, M. M. de. Como fazer pesquisa qualitativa. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2016.
ONU. Organização das Nações Unidas. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 2024. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 30 jul. 2024.
RODRIGUES, Linda Maria. O segredo do Brasil: os sentidos do lugar turístico no discurso da propaganda oficial sobre os Lençóis Maranhenses. Tese (Doutorado) – UNESP, 2011. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/entities/publication/0802a22f-76d8-419e-bf74-f1a1ce877bec. Acesso em: 27 maio 2025.
SANTOS, Paula Verônica Campos Jorge et al. Perfil socioeconômico de pescadores do município da Raposa, Estado do Maranhão. Revista Brasileira de Engenharia de Pesca, v. 6, n. 1, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.18817/repesca.v6i1.337. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
SILVA, Sylvana Kelly Marques da; SILVA, Fabisnaldo Pereira da. Narrativas de (des)envolvimento e o savoir-faire dos pesquisadores do Coletivo TBC – Maranhão. Infinitum: Revista Multidisciplinar, v. 8, n. 15, 26 mar. 2025. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/infinitum/article/view/22657. Acesso em: 13 fevereiro 2026.
SILVA, Janainne et al. Mapeamento participativo do território do Mangue Seco, como contribuição à oceanografia socioambiental, município da Raposa, Maranhão, Brasil. Caderno Prudentino de Geografia, v. 2, n. 46, 2024. Disponível em: https://revista.fct.unesp.br/index.php/cpg/article/view/10486 . Acesso em: 13 fevereiro 2026.
SILVA, Alex Nunes. O turismo e suas práticas socioespaciais: o caso de Raposa–Maranhão. Revista Equador, v. 9, n. 4, 2020, p. 214-236. Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/revistaequador/article/view/7791. Acesso em: 27 fev. 2026.
SOUZA, T. D. V. S. B. et al. Índice de Atratividade Turística das Unidades de Conservação Brasileiras. Brasília, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/editais-diversos/editais-diversos-2019/indice_de_atratividade_turistica_das_ucs_brasileiras.pdf. Acesso em: 13 fev. 2026.
TÁ LEGAL AVENTURA. Pescaria no Mangue Sêco. YouTube, 01 fev. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/@talegalaventura. Acesso em: 05 fev. 2026.
TOMAZZONI, Edgar Luis; SANTOS JUNIOR, João José dos; CAVALCANTE, Jordana de Souza; SILVA, Amanda Cabral da (Orgs.). Gestão do turismo nas perspectivas da governança, da regionalização e do desenvolvimento. São Paulo: Edições EACH, 2023.
VASCONCELOS, T. R.; FUSHIMI, M.; PINHEIRO, S. Y. A.; SILVA, Q. D. Risco de inundação costeira no município de Raposa (MA). Formação (Online), v. 27, n. 51, p. 159-176, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.33081/formacao.v27i51.6606. Acesso em 26 de fevereiro de 2026.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
O autor pode ainda, imprimir e distribuir cópias do seu artigo, desde que mencione que os direitos pertencem a REVISTA UNIARAGUAIA.
Os direitos de autor incluem o direito de reproduzir na íntegra ou em parte por qualquer meio, distribuir o referido artigo, incluindo figuras e fotografias.
Ao submeterem originais à REVISTA UNIARAGUAIA, o(a) autor(a) ou autores manifestam concordância com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à REVISTA UNIARAGUAIA o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob aLicença Creative Commons Attributionque permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado

