SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA: UMA ANÁLISE DOS INDICADORES GRI DA NATURA &CO (2022–2024)
Palabras clave:
ESG, Global Reporting Initiative, Governança, Equidade, Gestão de ResíduosResumen
O presente artigo analisa o desempenho ambiental, social e de governança (ESG) da Natura &Co no período de 2022 a 2024, com base nos padrões da Global Reporting Initiative (GRI), buscando avaliar a coerência entre metas, práticas e resultados reportados. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa documental de método misto, que combina análise quantitativa seriada de indicadores GRI selecionados (GRI 201, 203, 301, 306, 405 e 414) e análise qualitativa do conteúdo narrativo dos relatórios corporativos, complementada por fontes secundárias da literatura especializada. Os resultados indicam elevado grau de maturidade institucional no reporte ESG, evidenciado pela consistência dos dados divulgados, pela adoção de métricas derivadas e pela integração da sustentabilidade à estratégia corporativa. Na dimensão ambiental, observam-se avanços incrementais na circularidade de materiais e na gestão de resíduos, embora persistam desafios estruturais, como o aumento absoluto do consumo de materiais não renováveis e a sensibilidade dos indicadores percentuais a mudanças metodológicas. Na dimensão social, destacam-se progressos na equidade salarial de gênero e raça e no fortalecimento da diligência devida na cadeia de suprimentos, contrastando com limitações na diversidade racial e de gênero nos níveis mais elevados da governança. No âmbito da governança, mesmo em contexto de reestruturação financeira, a empresa manteve investimentos sociais e vinculou instrumentos financeiros a metas ESG, reforçando a lógica de criação de valor compartilhado. Conclui-se que, embora a Natura &Co apresente práticas avançadas de reporte e governança socioambiental, o fortalecimento da agenda ESG demanda métricas mais robustas, maior padronização do disclosure e mecanismos de verificação capazes de transformar o reporte em efetivo instrumento de redução de impactos e promoção do desenvolvimento sustentável, especialmente no contexto brasileiro.
Referencias
CONKE, Leonardo Santiago. A coleta seletiva nas pesquisas brasileiras: uma análise bibliométrica. URBE. Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 13, p. 1-14, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/urbe/a/C5NJZ9MSPRg8tBwz8yd4KXJ/?format=pdf.
COUTO, Maria Clara L. et al. Análise dos sistemas de logística reversa no Brasil: desafios e oportunidades. Estudos Sociedade e Agricultura, v. 30, n. 2, p. 289-313, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/esa/a/S5FHdbHp3ZV6kQHgmFfSSWF/.
DUBE, M. et al. Recycling of multi-material multilayer plastic packaging: challenges and future directions. Resources, Conservation & Recycling, v. 180, 106236, 2022. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921344921005140.
EISSENBERGER, Katharina et al. Approaches in sustainable, biobased multilayer packaging – a review. Polymers, v. 15, n. 3, p. 1-20, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10007551/.
FAJARDO, Mariana Isabel Esteves da Silva. Embalagens “sustentáveis” para produtos cosméticos: análise de alternativas de materiais. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2020. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial). Disponível em: https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/13717/1/9552_20378.pdf.
LINO, Fabio A. M. et al. Municipal solid waste treatment in Brazil: a comprehensive review. Cleaner Waste Systems, v. 5, 100087, 2023. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2772427123000621.
MARCHI, Claudia M. D. F. et al. Catadores de materiais recicláveis: análise do perfil socioeconômico e da contribuição ambiental em cidades brasileiras. Interações (Campo Grande), v. 22, n. 4, p. 1213-1229, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/inter/a/HSNPR9HMQD8H7VScVbq6FRj/.
SOARES, Carla T. M. et al. Recycling of multi-material multilayer plastic packaging: opportunities and challenges. Waste Management, v. 132, p. 68-79, 2021. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921344921005140.
DUARTE, Nickolas Patrick Garcia; PRAZERES, Rodrigo Vicente dos; LAGIOIA, Umbelina; ARAÚJO, Juliana Gonçalves de; ANJOS, Luiz Carlos Marques dos. Divulgação em sustentabilidade e as relações com as características dos conselhos e a asseguração. Revista Contabilidade & Finanças, v. 36, n. spe1, e2148, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rcf/a/d9pRPPQRCyCMxzZ9xGbR9WN/?lang=pt. Acesso em: 10 set. 2025.
MORIOKA, Sandra Naomi; CARVALHO, Marly Monteiro de. Discutindo sustentabilidade no contexto de negócios e em relatórios de desempenho: análise de estudos de caso brasileiros. Gestão & Produção, São Carlos, v. 24, n. 3, p. 514-525, 2017. DOI: 10.1590/0104-530X2665-16. Disponível em: https://www.scielo.br/j/gp/a/bywbB3BgxBwSSD8HFXk783d/?format=pdf.
LAU, F. D.; KAHN, L. M. The gender wage gap: extent, trends, and explanations. Cambridge: National Bureau of Economic Research, 2016. (NBER Working Paper, n. 21913). DOI: https://doi.org/10.3386/w21913.
DROFENIK, J. et al. A multi-level approach to circular economy progress. Journal of Cleaner Production, v. 438, 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2025.140921.
FALKENBERG, C. et al. Is sustainability reporting promoting a circular economy? Sustainability, v. 15, n. 9, p. 1-22, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/su15097719.
MASSO, J.; MERIKULL, J.; VARTS, K. The role of firms in the gender wage gap. Labour Economics, v. 76, p. 102200, 2022. DOI: https://doi.org/10.1016/j.labeco.2021.102200.
PORTER, M. E.; KRAMER, M. R.; HILLS, G. et al. Measuring shared value. Harvard Business School, 2012. Disponível em: https://www.hbs.edu/creating-shared-value.
ASSUNÇÃO, M. L. et al. Environmental, social and governance (ESG): uma revisão. Cuadernos de Educación, v. 2, n. 3, p. 1-15, 2024. Disponível em: https://ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/3248.
ELKINGTON, J. Cannibals with forks: the triple bottom line of 21st century business. Oxford: Capstone, 1997.
IRIGARAY, H. A.; STOCKER, F. ESG: novo conceito para velhos problemas. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 20, n. 2, p. 319-329, abr./jun. 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1679-395120210205.
MARINHO, L. E. da S.; ANDRADE, J. N. T. Análise da aplicação do Triple Bottom Line em uma indústria alimentícia de Imperatriz-MA. Revista Humanidades & Inovação, Palmas, v. 10, n. 14, p. 279-293, 2023. Disponível em: https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/7272.
ARAÚJO, R. R.; OLIVEIRA, E. M. Relato de sustentabilidade: uma análise da relevância das informações socioambientais para a gestão corporativa. Revista de Administração Contemporânea, Curitiba, v. 26, n. 1, p. 1-18, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2022210080.
ASSUNÇÃO, M. L. et al. Environmental, social and governance (ESG): uma revisão. Cuadernos de Educación, v. 2, n. 3, p. 1-15, 2024. Disponível em: https://ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/3248.
CARVALHO, F. M.; PAIVA, J. S. Relatórios de sustentabilidade e a utilização dos padrões GRI: um estudo em empresas brasileiras. Revista de Gestão Social e Ambiental, v. 15, n. 1, p. 88-104, 2021. DOI: https://doi.org/10.24857/rgsa.v15i1.2291.
OLIVEIRA, L. R. et al. Sustentabilidade: da evolução dos conceitos à aplicação empresarial. Produção, São Paulo, v. 22, n. 3, p. 517-526, 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-65132012005000032.
Priorização do meio ambiente em empresas que divulgam relatórios GRI no Brasil: uma questão estratégica. 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/376253785_Priorizacao_do_meio_ambiente_em_empresas_que_divulgam_relatorios_GRI_no_Brasil_uma_questao_estrategica
GLOBAL REPORTING INITIATIVE. GRI 201: Economic Performance 2016. Disponível em: https://globalreporting.org/pdf.ashx?id=12368. Acesso em: [data de acesso].
GLOBAL REPORTING INITIATIVE. GRI 203: Indirect Economic Impacts 2016. Disponível em: https://www.globalreporting.org/pdf.ashx?id=12390. Acesso em: [data de acesso].
MERCER. Natura & Co LATAM - Brazil 2023 Estudo de equidade salarial. 2024 https://www.naturaeco.com/wp-content/uploads/sites/428/2024/03/Relatorio-Mercer_Natura-Co-Brasil_publicacao_mar24.pdf
MERCO. Ranking Merco de Responsabilidade ESG 2024. 2024 https://www.merco.info/files/2025/05/2271/comunicado-a-imprensa-merco-esg-brasil-2024.pdf
NATURA &CO. Relatório Integrado Natura &Co América Latina 2023. 2024. Disponível em: https://www.natura.com.br/relatorio-anual Acessado em: abr. de 2025.
NATURA &CO. Relatório Integrado Natura &Co América Latina 2022. 2023. Disponível em: https://www.natura.com.br/relatorio-anual Acessado em: abr. de 2025.
NATURA &CO. Relatório Integrado Natura &Co América Latina 2024. 2025. Disponível em: https://www.natura.com.br/relatorio-anual Acessado em: abr. de 2025.
NATURA &CO. Política de Biodiversidade. 2024 Disponível em: https://api.mziq.com/mzfilemanager/v2/d/67c3b7d4-64ea-4c2f-b380-6596a2ac2fbf/3753df5d-9aac-ba5f-8ad9-b97163c9840c?origin=2 Acessado em: mai 25
NATURA &CO. Proposta da Administração Assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária a serem realizadas em 26 de abril de 2023. 2023. https://api.mziq.com/mzfilemanager/v2/d/67c3b7d4-64ea-4c2f-b380-6596a2ac2fbf/888c68db-2a3d-9fe8-8294-ac6945e1b967?origin=1
PORTER, M. E.; KRAMER M. The Big Idea: Creating Shared Value. Harvard Business Review, Vol. 89, No. 1- 2, Jan/February, 2011.
TRÊS, P.; DI DOMENICO, D.; TRÊS, N. Nível de disclosure nos relatórios de sustentabilidade em conformidade com o Global Reporting Initiative (GRI). Revista Ambiente Contábil, Natal, v. 15, n. 2, p. 1-18, 2023. DOI: https://doi.org/10.21680/2176-9036.2023v15n2ID28710
VALOR INVESTE. Estudo mostra quais são as empresas campeãs em ESG do Brasil na opinião de consumidores. 2022. https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/empresas/noticia/2022/06/15/estudo-mostra-quais-sao-as-empresas-campeas-em-esg-do-brasil-na-opiniao-de-consumidores.ghtml
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
O autor pode ainda, imprimir e distribuir cópias do seu artigo, desde que mencione que os direitos pertencem a REVISTA UNIARAGUAIA.
Os direitos de autor incluem o direito de reproduzir na íntegra ou em parte por qualquer meio, distribuir o referido artigo, incluindo figuras e fotografias.
Ao submeterem originais à REVISTA UNIARAGUAIA, o(a) autor(a) ou autores manifestam concordância com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à REVISTA UNIARAGUAIA o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob aLicença Creative Commons Attributionque permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado

