AVALIAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL EM LIXÕES A CÉU ABERTO: PERSPECTIVAS E DESAFIOS PARA A GESTÃO SUSTENTÁVEL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Autores

  • Lucas Mychell Moreira Uniaraguaia
  • Mayra Drogomirecki Dourado Uniaraguaia
  • Fernando Ernesto Ucker Uniaraguaia
  • Lucas Salomão Rael de Morais Uniaraguaia / Universidade Federal de Goiás https://orcid.org/0000-0002-0852-4605

Palavras-chave:

Lixões a céu aberto, risco ambiental, gestão sustentável de resíduos

Resumo

O presente artigo discute a problemática dos depósitos irregulares de resíduos sólidos urbanos, ainda comuns em municípios brasileiros de pequeno e médio porte. Esses locais configuram formas inadequadas de disposição final, resultando em sérios impactos ao meio ambiente e à saúde pública, como a contaminação do solo, das águas superficiais e subterrâneas, além da emissão de gases de efeito estufa. O objetivo central é analisar os riscos ambientais associados aos lixões, identificando suas principais consequências e propondo alternativas sustentáveis para a gestão dos resíduos sólidos. A metodologia utilizada consistiu em revisão bibliográfica sistemática, abrangendo estudos científicos, legislações e documentos técnicos publicados na última década, disponíveis em bases como Google Scholar, SciELO e CAPES. Os dados foram tratados por meio de análise de conteúdo. Os resultados indicaram que os lixões são fontes de chorume e metais pesados, com efeitos negativos sobre o meio físico e riscos sociais, ao exporem comunidades vulneráveis e catadores a condições insalubres. Verificou-se, ainda, a insuficiência da aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e as dificuldades dos municípios em atender aos prazos legais para encerramento desses locais. Conclui-se que a Avaliação de Risco Ambiental (ARA) constitui ferramenta fundamental para apoiar decisões técnicas e políticas, permitindo identificar áreas críticas e priorizar ações preventivas e corretivas. Recomenda-se a adoção de políticas públicas integradas, com ênfase em educação ambiental, economia circular, valorização dos catadores e investimentos em infraestrutura adequada, como aterros sanitários e coleta seletiva.

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Publicado

08-01-2026

Edição

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Artigos